27 maio 2013

Uma história de Coragem e Vida Criativa

Há histórias simples de gente comum que valem  a pena ser contadas.

Esta é a história de um homem que descobriu na coragem para viver a vida que queria, uma existência mais plena e satisfatória.                                                                                  

No início dos anos 90 era um jovem estudante que adorava desenhar, ouvir música e sair com os amigos. Cresceu numa família de classe média que nunca o impediu de querer abraçar o mundo mas, ele recolheu-se no sentido de responsabilidade e desejo de auto-suficiência quando teve de decidir sobre o futuro. Escolheu um curso que lhe permitiu ter estabilidade e um relativo sucesso.                                              

Chegado aos 40, não era completamente infeliz com a vida que tinha. Sentia-se grato por ter um emprego, um ordenado acima da média, uma família e alguns amigos.                  
De vez em quando inquietava-se e perguntava a si próprio porque é que no fundo ainda se sentia insatisfeito. Tentava adivinhar como é que teria sido a sua vida se tivesse feito escolhas diferentes.                                                            

Conhecia várias pessoas que tinham feito, como ele, escolhas auto impostas, numa tentativa de fazer o que está certo, de jogar pelo seguro. A maioria era insatisfeita e insegura, ao ponto de chegar a sentir que não era suficientemente boa, suficientemente "smart", suficientemente talentosa para o que quer que fosse. Passava a vida a pensar e a dizer que precisava de mudar. Questionava-se continuamente sobre o quê e como fazê-lo. Vivia à espera de um dia se sentir preparada.                                                                                                

Também ele tinha determinado à partida o que era e o que não era possível. Até ao dia em que leu um poema que lhe mudou a vida: "A poem begins with a lump in the throat, a home-sickness or a love-sickness. It is a reaching-out toward expression; an effort to find fulfillment. A complete poem is one where the emotion has found its thought and the thought has found the words." (Robert Frost, American poet, letter, 1916).

Nesse dia decidiu olhar-se ao espelho e repensar a vida. Escolheu ter coragem para transformar a sua vida, na vida que queria ter. Começou com um nó na garganta, a sensação de que podia correr mal e alguma nostalgia. Recordou antigos interesses, desejos, sonhos e paixões. Encontrou força para ultrapassar todos os receios e resistências.
Desejou outra vez. Sonhou maior. Sentiu-se merecedor de mais. Disse para si mesmo: "não percas de vista o que te entusiasma! Agarra-te ao que te faz feliz! Não descanses até conseguires aquilo que queres! Empenha-te! Não te acomodes! Não percas tempo!"

Um novo olhar sobre a vida, um novo acordar todos os dias, um novo prazer em viver começou naquele dia. Não duas semanas ou 2 meses depois. Naquele dia.

Hoje está a caminho. Caminha a sua estrada. Segue um rumo talhado por ele próprio, à sua medida. Em cada curva, cada lomba ou cruzamento, assume a responsabilidade de fazer da sua vida, todos os dias, a vida que quer ter.

E você? Quando é que começa?

22 maio 2013

Cansaço e fadiga

Assumi recentemente e sem que o pudesse prever, responsabilidades profissionais que têm limitado o meu tempo disponível para actualizar o Virar a Página. Como tudo na vida, não será uma situação permanente. Em breve o Virar a Página voltará a ser actualizado com maior regularidade.

As duas últimas semanas têm sido muito intensas. O cansaço começa a dar sinais. É tempo de agir e evitar que se transforme em fadiga.

Fadiga é mais do que cansaço. O cansaço rende-se a um banho relaxante, uma massagem, uma boa noite de sono, uma refeição equilibrada e duas boas gargalhadas. A fadiga exige mais do que isso. Quando se instalam a falta de vigor físico, a dificuldade de concentração e a letargia, é necessário tomar medidas de fundo e investir numa recuperação gradual e robusta.

Se sente o cansaço a apertar e quer evitar que a fadiga se instale, junte-se a mim na reivindicação por mais tempo e energia. Partilho consigo a minha estratégia. Vamos juntos combater o cansaço e evitar a fadiga:

  • Procure levantar-se um pouco mais cedo do que o habitual
  • Comece o dia devagar com um bom pequeno almoço
  • Aproveite para planear o resto do dia
  • Reveja a sua agenda, tarefas e horários
  • Priorize as tarefas urgentes e importantes
  • Concentre as tarefas mais exigentes para o período do dia em que se sente mais enérgico
  • Reserve tempo para refeições e pequenas pausas
  • Pratique exercício físico: fazer pequenos percursos a pé ou simples alongamentos são um bom começo
  • Induza rotinas de sono à noite e procure deitar-se 30min a 1h mais cedo do que o habitual

Experimente e faça-me saber se resulta tão bem consigo, como tem resultado comigo!

09 maio 2013

Pais e adolescentes!

Entre os 14 e os 20 - leia-se vintes - não se é carne nem se é peixe!

Desculpem a prepotência mas, do alto dos meus quase 40 anos de idade, posso dizê-lo sem reservas. Primeiro, porque já tive 14, e já tive vintes! Segundo, porque sou mãe, madrasta, irmã, tia, vizinha, amiga e terapeuta de adolescentes!

A culpa neste caso não morre mesmo solteira. São as hormonas, o estádio de desenvolvimento mental/psíquico, o processo de crise que é em si mesmo a adolescência... mas também a escola e a família. Ah, pois! A escola e a família que se esquecem que não há jovem algum que aprenda com os erros dos outros.

Cada jovem só aprende com os seus próprios erros!

E quem é que já não foi / é adolescente?

Para que conste e não se esqueça, aqui ficam os princípios fundamentais para um adolescente se tornar carne ou peixe, sem dramas:

  • Não tenha medo! Já contabilizou quanto tempo passa a preocupar-se com coisas que nunca vão acontecer?  Nunca vai poder controlar tudo e a sua ansiedade também não o vai ajudar nessa tarefa. Se tem medo que ele apanhe Gripe A, vacine-o. Se tem medo que tenha más notas, acompanhe-o nos estudos. Não o sobrecarregue com preocupações suas, que podem ser evitadas. Ensine-o, pelo seu exemplo, a simplificar e sentir-se seguro.
  • Desacelere! Se ele é preguiçoso, "preguice" com ele. A preguiça ou falta de motivação são bons. Dizem-lhe que os objectivos e os meios escolhidos para os alcançar se tornaram desinteressantes e/ou que existe necessidade de repor energias. Desacelere com ele. Pare se for preciso. Percebam eventuais resistências e desmotivações. Realinhem objectivos e estratégias. Mantenha-os exequíveis e apelativos.
  • Não faz mal errar! Os erros e os fracassos não são maus. Assinalam aprendizagens que precisam de ser feitas. Permitem corrigir rotas. Evitam grandes acidentes. Ser mãe ou pai é a maior tarefa da sua vida. Você não sabe tudo. Não acerta sempre. O seu filho também não e, lembre-se, é muito menos experiente do que você. Ajude-o a perceber o erro ou fracasso, a assimilar a experiência como um meio para fazer correcções, melhorias e  progressos.
  • Sonhe e deixe sonhar! O corre-corre da vida quotidiana afastou-o ou fê-lo esquecer os seus sonhos? Vá buscá-los ao baú. Reajuste-os às circunstâncias actuais. Sonhe e deixe o seu filho sonhar. Sonhe com ele. Se lhe dizer que não vale a pena, porque os sonhos só se realizam nos filmes, como é que o vai convencer de que vale a pena estudar, aprender, crescer e empenhar-se nos seus objectivos?
  • Seja sociável! Não se contente com o vai-e-vem de casa para o trabalho e do trabalho para casa. Esteja disponível para conhecer novas pessoas, conversar, ouvir novos pontos de vista, observar novas formas de estar. Conheça e receba os amigos dos seus filhos em casa. Estabeleça contacto com os pais deles. Não se preocupe com o stock de bolachas ou se não teve tempo para  arrumar a casa. Ninguém se vai lembrar disso,  mais tarde. Antes, vão recordar-se da sua simpatia e disponibilidade. Os amigos dos seus filhos vão achá-lo cool e os pais deles vão encontrar em si (e vice versa) uma aliança de confiança.
  • Não faça comparações! Não se compare com os outros pais, nem compare os seus filhos entre eles ou com os filhos dos outros. Isso só vos vai exasperar, frustrar, consumir tempo e energia. Somos todos diferentes e não partimos todos da mesma pole position. O que importa mesmo é o percurso de cada um e a forma como evolui, tendo em conta as suas circunstâncias individuais. Acarinhe e celebre cada conquista e vitória. Você e o seu filho são vencedores em cada etapa conquistada, ao vosso ritmo. Não se esqueça de subir ao pódio com ele de vez em quando, e celebrar!
Nota breve e muito importante: o seu filho segue os seus exemplos, não os seus conselhos!

08 maio 2013

Se está desempregado, esta mensagem é para si!


Não resisto a falar do desemprego mas, se está desempregado, não espere que vá dar-lhe palmadinhas nas costas ou chorar consigo.
Não conte comigo para alimentar queixumes, negativismo e inércia! 
O desemprego pode ser visto de duas formas:
  • Uma fatalidade limitadora, que aprisiona e atrofia
  • Uma oportunidade para reflectir, fazer coisas que nunca teve oportunidade de fazer e desfrutar
Quem está de fora consegue ver claramente a perspectiva mais positiva.

Quem está desempregado geralmente balança entre as duas perspectivas. Tem dias! Tem dias bons, dias maus e dias assim-assim!

Se está desempregado, hoje é um bom dia! 

Enquanto milhões de pessoas estão a ser pagas para fazerem coisas que não gostam e conviverem com pessoas que não lhes dizem nada, você vai - comigo - retirar deste dia e dos que se avizinham, o melhor que eles lhe podem dar!

Preparado?!

  • Acorde e salte da cama! Não precisa de se levantar com as galinhas mas, vai fazer-lhe bem aproveitar o máximo de horas de luz e sol que o dia tem para lhe dar. 
  • Vista-se como se fosse trabalhar! Pijama é para dormir. Fato-de-treino é para treinar. Não se vista como o desempregado que não quer ser. Vista-se como o gestor, electricista, administrativo ou professor que quer que os outros vejam que é.
  • Controle o seu tempo! Não fique no sofá a ver mais de 2 filmes de seguida ou a ler os mesmos post do Facebook. Estabeleça tempo para fazer o que tem de ser feito: limpezas, arrumações, refeições, finanças pessoais, procura de emprego, socialização, etc..
  • Mantenha-se actualizado! Saiba o que se passa no mundo, no seu país, na sua cidade. Veja noticiários, pesquise online, leia jornais no café ou biblioteca pública.
  • Alimente a sua rede de relações! Mantenha contacto com familiares, amigos e ex-colegas de trabalho. Dê-lhes a conhecer que tipo de trabalho procura e peça-lhes que lhe dêem a conhecer oportunidades. Envie-lhes o seu CV e diga-lhes que não se importa que o reencaminhem.
  • Saia de casa! Fora das suas quatro paredes existe um mundo maravilhoso para ver, ouvir, sentir e cheirar. Passeie a pé, observe a natureza, faça exercício, fotografe, converse com outras pessoas.
  • Mantenha a sua casa limpa e arrumada! Acredite ou não, é ocupacional e terapêutico. Vai sentir-se útil e muito mais confortável num espaço organizado e limpo. E se uma amiga aparecer para o visitar, não vai ter de empurrar as pantufas à pressa para debaixo do sofá.
  • Recupere ou descubra um hobby! Deixe-se envolver por uma actividade que lhe dê prazer e o faça sentir competente. Não adie mais. Seja correr, fazer crochet, pescar ou escrever um blog, comece agora.
Faça dos seus dias novidade e conte-me como tem sido!

07 maio 2013

5 dicas para um final de ano lectivo bem sucedido

E em dia de realização de exames nacionais para os alunos do 4º ano, o assunto não podia ser outro: um final de ano lectivo bem sucedido!

Para quem já deixou a escola à muitos anos, recordar esses tempos é como fazer uma viagem que deixa saudades: das amizades, do cheiro dos livros, da diversão, das primeiras paixões, do giz a chiar no quadro, da fila do bar, das aventuras.

À distância recordam-se menos as noites de estudo na véspera de teste, as aulas maçadoras com matéria que parecia servir para nada, uma apresentação oral perante toda a turma, as notas abaixo do esperado ou a pressão para subir uma média final.

Ser estudante pode ser difícil e stressante! E apesar disso, todos esperam que os resultados sejam brilhantes!

Sei que estamos na recta final deste ano lectivo e que talvez vos pareça que o tema é extemporâneo, que devia falar-vos de sucesso académico lá mais para Setembro. Mas, digo-vos: é mesmo nesta altura que o cansaço aperta e todos os estudantes precisam de motivação e ânimo.

Crianças e jovens: vocês têm toda a minha compreensão e empatia!

Só para vocês, 5 dicas para um final de ano lectivo de empenho e sucesso:

  • Não compares os teus resultados aos resultados dos outros! Tu tens um potencial extraordinário para seres bem sucedido.  Não deixes que o teu sucesso se meça pelo sucesso dos outros. Usa o teu próprio potencial. Revela-o e faz dele a alavanca perfeita para seres bem sucedido.
  • Mantém-te focado! Onde é que queres chegar? O que é que queres para ti? Tudo o que fizeres, fá-lo por ti e não porque achas que é o que alguém quer. Estabelece metas e objectivos. Lembra-te deles para te motivares nos momentos mais difíceis.
  • Descobre os teus valores e vive de acordo com eles! Aprender não é apenas saber o que te ensinam nas aulas. Aprender é usar o que te ensinam para defenderes aquilo em que acreditas. Conheceres os teus valores, vai ajudar-te a ver a big picture do teu percurso académico e da tua vida.
  • Muda aquilo que não estiver a resultar! Se os teus hábitos e métodos de estudo não estão a resultar, muda-os! Se queres resultados diferentes, faz diferente! Se não sabes o que mudar ou como mudar, pede conselhos, procura ajuda.
  • Pára de te queixar e faz o que tens de fazer! O queixume só vai atrasar-te e atrapalhar-te. Estudar tem tudo a ver com dares o máximo de ti. E o teu máximo não é queixares-te e resmungares, pois não?! Dá o melhor de ti! 

Ânimo! O ano lectivo está quase a acabar! Motivação e empenho nesta altura só vão compensar! 

06 maio 2013

Seja mais produtivo! Relaxe!

Quer intensificar a sua produtividade e desempenho?
Mude de hábitos!
Relaxe!
Um interessante artigo de Tony Schwartz no New York Times desafia-nos a relaxar e a retornar a hábitos fora de moda, para nos tornarmos mais produtivos.
Li, gostei e recomendo! http://www.nytimes.com/2013/02/10/opinion/sunday/relax-youll-be-more-productive.html?pagewanted=1&_r=2&nl=todaysheadlines



05 maio 2013

Ansiedade e ataques de pânico


Sentir ansiedade é normal. É uma resposta natural em muitas situações. Enfrentar um teste, uma entrevista de emprego, uma viagem ou um primeiro encontro amoroso são exemplos de situações que podem desencadear ansiedade.

Um estilo de vida desequilibrado pode contribuir para que a ansiedade atinja níveis fora do normal. Medidas simples podem resolver essa desregulação: aliviar uma agenda sobrecarregada, delegar tarefas, pedir ajuda, reservar tempo para relaxar e divertir-se, ter cuidados com a auto-imagem e com a saúde.

Quando a ansiedade não responde a medidas simples como as sugeridas acima e invade vários, ou mesmo todos os aspectos e dimensões da vida quotidiana, afectando a capacidade funcional, estamos perante uma perturbação da ansiedade.

As perturbações da ansiedade são bastante comuns na população portuguesa - ou não fossem os ansiolíticos uma das classes de medicamentos mais vendidas - e o seu espectro é bastante alargado.

Os sintomas são muito variados, uns mais presentes em determinado tipo de perturbação do que outros, e dividem-se em cinco categorias: físicos, cognitivos, comportamentais, interpessoais e afectivos.

Uma das perturbações da ansiedade mais comum é o ataque de pânico.

O ataque de pânico caracteriza-se por um período determinado no qual a pessoa sente desconforto intenso, acompanhado de sintomas que galopam em crescendo, nos quais se incluem:
  • Palpitações, ritmo cardíaco acelerado
  • Suores
  • Estremecimento, tremores
  • Dificuldades respiratórias
  • Sensação de sufoco
  • Desconforto ou dor no peito
  • Náuseas, mau estar abdominal
  • Tonturas, desequilíbrio, sensação de cabeça oca ou de desmaio
  • Sensação de irrealidade ou de estar desligado de si próprio
  • Medo de perder ou controlo ou de enlouquecer
  • Medo de morrer
  • Entorpecimento ou formigueiro
  • Sensação de frio ou de calor

Existem três tipos de ataque de pânico:
  • Inesperado - ocorre espontaneamente, sem sinais prévios
  • Situacional - acontece invariavelmente logo após a exposição a um mesmo estímulo
  • Situacionalmente predisposto - semelhante ao situacional, não ocorre sempre que existe exposição ao estímulo, nem imediatamente após essa exposição
Se tem experimentado alguns dos sintomas físicos descritos acima, considere fazer um check up. O seu médico de família pode ajudá-lo a despistar causas médicas para esses sintomas, tais como problemas de tiróide, hipoglicemia ou asma.

Se o check up se revelar incapaz de explicar os sintomas, procure um psicólogo. Ele pode ajuda-lo a perceber e a interpretar o seus sintomas. 

Não se auto-diagnostique. Um bom profissional pode diagnosticá-lo com segurança, ajudá-lo a encontrar as causas e o tratamento adequado para o seu problema.

Pode, no entanto, tomar algumas medidas que o ajudarão a abordar o problema:
  1. Anote todas as suas preocupações. Não importa se o faz num guardanapo ou hi-phone.
  2. Reserve um período do dia para se concentrar nas suas preocupações: são os seus 10 minutos de ansiedade
  3. Aceite que não pode controlar tudo o tempo todo
  4. Experimente algumas técnicas de relaxamento e adopte uma. Meditação, yoga e exercícios respiratórios são alguns exemplos
  5. Adopte hábitos alimentares saudáveis e equilibrados
  6. Reduza o consumo de álcool e de tabaco
  7. Faça exercício físico com regularidade
  8. Durma o suficiente
A ansiedade e os ataques de pânico podem ser altamente limitadores. Não perca qualidade de vida. Se não conseguir Virar a Página sozinho, peça ajuda!


04 maio 2013

Inveja

A inveja tem má fama mas, não tem de ser exactamente assim. Aprenda a usá-la a seu favor!

Já se sentiu alvo de inveja? A maioria das pessoas dirá que sim.

Mais difícil será admitir que já invejamos.

A inveja é um instinto primário de preservação. De nós próprios, da nossa família e do que possuímos.

Temos a tendência de nos medirmos, comparando-nos com os outros. Quando essa avaliação não nos é favorável, quando nos sub-avaliamos, abrimos caminho à inveja. E como associamos essa emoção à sub-avaliação que fazemos de nós próprios, considera-mo-la má e feia.

Podemos controlar a inveja fazendo alguns ajustes: baixar a avaliação que fazemos do outro, elevar a nossa auto-avaliação ou, fazer ambas as coisas.

Quando essa regulação falha, quando ficamos realmente afectados e descontentes com o sucesso do outro e nos sentimos inferiorizados em relação a ele, temos duas opções:
  • Diminui-lo, de modo a sobressairmos
  • Querer ser tão bom e ter tanto sucesso quanto ele e, colocar empenho nisso

Qual das duas opções lhe parece mais construtiva e reveladora de maior maturidade?

Da próxima vez que sentir inveja, tome consciência disso e aceite-o. 

Use essa emoção a seu favor: admire a capacidade que o outro tem para possuir o que você deseja e utilize essa admiração e atracção como alavancas para o seu sucesso. Pergunte-se:
  1. O que é que eu posso aprender dele, do seu percurso e sucesso, que possa ser aplicado a mim?
  2. Como é que posso subir de nível no meu próprio jogo, usando as estratégias dele?
  3. Coloquei a minha fasquia no lugar certo? Estou a celebrar as minhas conquistas?
Se formos capazes de identificar, nomear, aceitar e assumir as nossas emoções, sejam elas quais forem, podemos aprender muito com elas.

Que lições é que a inveja já lhe ensinou?








03 maio 2013

Ainda sobre a Paixão

O feedback que recebi a propósito deste tema, faz-me voltar a ele.
Não acredito que exista uma só pessoa que não tenha tido uma paixão, um sonho, ao longo da vida.
Conheço pessoas que foram apaixonadas por desenhar, observar formigas, apanhar borboletas, andar de baloiço, desmontar brinquedos, fazer puzzles, jogar à bola... sonharam dar a volta ao mundo, ser astronautas, veterinárias, cantoras, enfermeiras, polícias...
Algumas desviaram-se, perderam-se, esqueceram-se dessas paixões e sonhos. Umas, encontraram novas paixões e novos sonhos. Outras, nem por isso.
A que grupo pertence?
Alguma coisa ou alguém o induziu a defender-se, a esconder-se, a esquecer-se das suas paixões e sonhos?
  • Talvez se tenham rido de si ou lhe tenham dito para crescer
  • Talvez saiba do que gosta e o que quer mas, tenha medo de o dizer em voz alta
  • Talvez as suas paixões e sonhos lhe pareçam ser demasiado pequenos - ou demasiado grandes - vulgares - ou incomuns - extraordinários - ou insignificantes
  • Talvez se esconda das suas paixões e dos seus sonhos, por achar que não deviam fazer parte dos seus interesses

A sua vida não tem de ter uma paixão, um sonho, um propósito. Pode ter vários! Pode ter muitos!
Você não tem de escolher as suas paixões, os seus sonhos! Não tem de escolher ser quem é! Só tem de Ser! Só tem de gostar! Só tem de sonhar!
Aquilo de que gosta, é a sua natureza! E é natural que você seja apenas, simplesmente, quem é! Sem culpas ou ansiedades! Pode haver coisa mais natural e bonita do que ser quem é?!
Descobrir e assumir aquilo de que gosta e, fazer disso profissão, hobbie ou simples conversa, é ser quem você é!
Você pode viver tudo isso, em diferentes intensidades. Escolha o que quer fazer agora, o que lhe apetece e parece razoável fazer agora. Mais tarde, escolherá o que fazer a seguir. 
As suas paixões, os seus sonhos, não têm de ser coisas grandiosas, singulares e empolgantes. Podem ser apenas correr, fotografar, cozinhar ou colar cromos na caderneta.
Também não tem de se justificar ou defender. As suas paixões e sonhos justificam-se por si mesmos: você sente-os e pensa-os. E isso é legítimo!
Se se desviou, perdeu, esqueceu as suas paixões e os seus sonhos, aceite o desafio que se segue:
1 - Pergunte-se
  • O que é que me faz sorrir?
  • Com o que é que perco tempo, sem me importar com isso?
  • O que é que faço naturalmente, sem que alguém me peça para fazer?
  • Sobre o que é que não me canso de falar?
  • O que é que faço muito bem?
  • Se soubesse que não falharia, o que é que faria que ainda não fiz?
  • O que é que faria gratuitamente, apenas porque gosto muito de o fazer?
  • Se tivesse apenas um ano de vida, continuaria a fazer o que faço agora?
Ignore a voz que lhe diz que isso é impossível. Só desta vez, permita-se pensar livremente e responda de forma espontânea. Cinco minutos de "fantasia" não lhe vão fazer mal, pois não?

Já respondeu? Boa!

2 - Recorde agora um momento feliz. Um momento em que se tenha sentido inteiro e realizado no que estava  a fazer.

Quais eram as circunstâncias? Com quem é que estava? O que é que estava a fazer? Sobre o que é que conversou? Como é que se sentiu? Do que é que gostou mais?

Talvez se tenha recordado de um momento de diversão, risos, conversa e espontaneidade com amigos. Será isso um sinal de que ambientes e actividades que impliquem contactos com outras pessoas, o apaixonam?

Ou talvez se tenha recordado de estar sozinho, a beber uma bebida quente e a ler um bom livro à janela, enquanto via a chuva a cair na rua. Será indicação de que aprender, contactar com a natureza e fazer actividades que não exijam contacto com outras pessoas, são importantes para si? Significa isso que o seu projecto de vida ou carreira deverá ter isso em consideração?

3 - Recue até à sua infância
Como qualquer criança, você sabia exactamente do que é que gostava nessa altura. Não, não eram apenas devaneios de criança. Eram, são verdadeiras pistas para (re)encontrar as suas paixões. Se não se lembrar do que gostava, pergunte aos seus pais, avós ou irmãos mais velhos.

Pode não ir a tempo de ser astronauta ou não ter voz para ser uma estrela pop. Mas, pode  integrar um clube de astronomia para amadores ou divertir-se a fazer karaoke com amigos, não pode? Seja criativo e descubra novas formas de viver essas paixões!

4 - Revele os seus valores
Os seus valores são um guia moral e pessoal.
As suas crenças são premissas das suas verdades.

Valores e crenças, juntos, determinam como vive, comunica, pensa e age. 

Deixe que os seus valores e as suas crenças se revelem em tudo o que diz e faz. E, se for necessário, reveja-os.

5 - Olhe para o futuro
Imagine a sua vida daqui a 2 anos. Se continuar a fazer o que faz hoje, a acreditar no que acredita hoje, será mais feliz quando lá chegar?
Não espera resultados diferentes se continuar a fazer a mesma coisa, pois não?!

O que é que o impede de mudar? O medo?

Deixe-me ser dramática: sabe quais são os cinco arrependimentos mais comuns dos doentes terminais? Arrependem-se de:
  • Não terem tido a coragem de viverem a vida que queriam e, em vez disso, terem vivido a vida que outros esperaram que vivessem
  • Não terem expressado mais vezes os seus sentimentos
  • Não terem mantido contacto mais frequente e próximo com os familiares e amigos
Não é tarde demais para (re)encontrar as suas paixões e os seus sonhos. Pode não conseguir vivê-los tal e qual como imaginou mas, pode ser criativo e encontrar formas de os manter vivos... de se manter vivo, vibrante, satisfeito e realizado com a vida que tem!

Quais foram/são as suas paixões? Os seus sonhos? Como é que se revelaram? Como é que os vive/pensa viver? Deixe um comentário e inspire outras pessoas a Virar a Página! ;)


01 maio 2013

Dica para encontrar o que o apaixona

Há pessoas que sabem claramente o que as apaixona. Acordam todo os dias com entusiasmo e energia, antecipando que as espera um dia cheio de coisas interessantes para fazer. Para algumas será trabalhar com crianças, para outras mergulhar, cozinhar, ou escrever. Seja qual for a sua paixão, deixam-se envolver, dedicam-se, empenham-se e transformam essa actividade num espelho do melhor que são.

Conhece pessoas assim, apaixonadas pelo que fazem, vibrantes, criativas e determinadas a fazê-lo?

Quanto a si, quando foi a última vez que se sentiu assim?

Se não sabe o que o apaixona, se se perdeu a meio do caminho... siga a sua curiosidade!

Aproveite este feriado e apanhe sol por dentro!

Desperte a sua curiosidade! Deixe-se contagiar e guiar por ela!

A curiosidade é uma "espécie" que hiberna e tem faro apurado. Quando desperta, fareja todos os percursos possíveis, caminha sem se cansar, ultrapassa rios e montanhas, até encontrar...
Na verdade, pode nem saber o que a convoca, limitando-se a responder a esse apelo. Sente apenas que tem de seguir até chegar. E quando chega, sabe-o imediatamente, porque a sua vida  ilumina-se, vibra, adquire cor e ganha escala.

Não se acomode aos dias que se somam a outros sem luz ou cor!

Acorde a sua curiosidade e deixe-se guiar por ela! Ela vai conduzi-lo ao encontro do que o apaixona. Vai funcionar como alavanca para revelar o melhor de si!

Não faça julgamentos quanto à banalidade, relevância ou complexidade da coisa. Neste ponto, astrofísica ou crochet estão em pé de igualdade. Limite-se a responder ao apelo e desfrutar! 

Bom feriado!