21 junho 2013

Perturbação Bipolar vs Esquizofrenia

Há vinte anos atrás, quando alguém apresentava um comportamento perturbado, era comum ouvir-se dizer que era "maluco". Hoje, refinaram-se os termos e é mais habitual ouvir-se dizer que é "bipolar" ou "esquizofrénico".

Os termos "bipolar" e "esquizofrénico" entraram já no léxico comum, fruto da divulgação por parte dos media e de diversas associações. No entanto, o nível de informação é ainda reduzido.

A maioria das pessoas não sabe exactamente do que trata uma e outra perturbação e tende a confundi-las entre si ou com outras afecções.

Não existem TAC ou análises clínicas que diagnostiquem preto no branco este tipo de doenças, pelo que o diagnóstico é muitas vezes diferencial e pode alongar-se bastante até que seja conclusivo. Aliás, não é incomum haver alterações de diagnóstico ao longo dos anos. 

O que são então a perturbação bipolar e a esquizofrenia? Quais as suas características, sinais e sintomas? Em que diferem?

A perturbação bipolar caracteriza-se pela alternância entre estados de humor maníacos e estados de humor depressivos. Cada um destes períodos pode prolongar-se por semanas ou meses.
Na fase maníaca, a pessoa perturbada sente um nível anormal de energia e vigor. Tende a falar mais rápido do que é habitual e a parecer agitada. Pode manter crenças irracionais sobre as suas capacidades e competências, sobrevalorizando-se.
Depois de um período maníaco, é comum a pessoa com perturbação bipolar cair num período de humor depressivo. Apresenta-se triste, letárgica, apática e desmotivada.
As perturbações do sono são transversais a ambos os período, maníaco e depressivo.
O tratamento da perturbação bipolar pode ser desafiante, na medida em que o doente adere facilmente à terapêutica medicamentosa durante os períodos depressivos mas, tende a desconsiderá-la nos períodos maníacos. A maioria das pessoas com perturbação bipolar funciona bem socialmente, consegue manter um emprego e viver harmoniosamente em família.

A esquizofrenia caracteriza-se por episódios alucinatórios e delirantes.
Alucinar é ver e ouvir coisas que não são factuais/reais. Por exemplo, ouvir alguém que mora a kms de distância conspirar contra si através da canalização da cozinha.
Delirar é acreditar em coisas que não são reais/não existem, mesmo quando existe prova do contrário. Por exemplo, que se é Jesus Cristo ressuscitado.
Tanto a alucinação como o delírio são irracionais e estão, frequentemente, envoltos num complexo e intrincado sistemas de crenças, pelo que argumentar de forma racional e lógica com alguém que tem esquizofrenia, é inútil. 
O tratamento da esquizofrenia também é desafiante, sobretudo porque as pessoas com esquizofrenia não funcionam tão bem em sociedade e têm dificuldade em aderir à terapêutica medicamentosa. A dificuldade em manter um emprego, actividades básicas do quotidiano ou relações equilibradas, empurra muitos destes doentes para a marginalização. Basta um curto passeio por Lisboa, para nos apercebermos do grande número de sem-abrigo com este tipo de perturbação, que é uma das mais estigmatizadas.

O estigma da doença mental está ainda muito presente na nossa sociedade. São muitas as famílias e grupos de amigos que têm dificuldade em compreender, lidar e aceitar a doença mental. Ainda são comuns as histórias de discriminação na escola e no local de trabalho. 

Acredito que um dia será diferente!

A pessoa com doença mental, tem uma doença mental. Não é uma doença mental. Não é isso que a define.
A pessoa com doença mental é mãe, pai, filho, irmão, tem gostos e preferências, motivações e medos, sonhos e um novo dia todos os dias para fazer diferente... como qualquer pessoa dita "normal".



03 junho 2013

Quem procura encontra!

Diálogo que todos já tivemos, enquanto crianças com as nossas mães e, enquanto mães com os nossos filhos:

"Não encontro o meu xxxxxx!!
"Já procuraste?"
"Não!"

Suspiro!

Suspiramos, do lado de lá e do lado de cá, porque sabemos que quem procura encontra! Sabemos que não basta olhar à volta. Sabemos que se nos empenharmos na procura, mexendo e remexendo, espreitando e refazendo o mesmo percurso, encontramos.

Se procurarmos injustiça, encontramos.
Se procurarmos alegria, encontramos.
Se procurarmos contrariedades, encontramos.
Se procurarmos algo pelo qual ser gratos, encontramos.
Se procurarmos um colega que nos quer tramar, encontramos.
Se procurarmos as vantagens de ter fé, encontramos.
Se procurarmos os defeitos da nossa cara metade, encontramos.

Ás vezes, não precisamos de mudar tanto assim a nossa vida e o que nos rodeia, para encontrarmos aquilo que queremos. Basta procurarmos!


O que é que vai escolher procurar hoje?